segunda-feira, 29 de junho de 2020

Meu testemunho de amor a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

#eusoudevota A pedido de meu primo, frei Bosco Montserrat, eis meu testemunho de devoção a Boa Mãe do Perpétuo Socorro:
Este registro (postado) , é da Basílica de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns, berço da minha devoção.
Aos 12 anos fui diagnósticada com febre reumática, doença hereditária ( vi uma prima morrer aos 12 anos dessa doença e outra quase também não resistia.) O médico que me acompanhava, dr. Daniel, disse a mim e a minha mãe que se mais alguém na família sentisse os sintomas, procurasse imediatamente a urgência e comunicasse que era hereditário ( que segundo ele, era o pior ).
Dos meus 12 anos até os 15, realizei o tratamento em uma central do Ipsep em Garanhuns e no Hospital do Perpétuo Socorro também na mesma cidade e das centenas de vezes que tivemos que dormir em Garanhuns eu e minha mãe sempre íamos à Brasília e participávamos nas terças-feiras da Novena Perpétua por minha cura.
Aos 15 anos vim para o convento no Cabo, mas sempre nas férias ia para a Novena Perpétua em Garanhuns. Aos 22 anos recebi a cura e até hoje nada sinto. Não ficou nenhuma sequela, pois essa doença é séria e pode complicar alguns órgãos ( Doença inflamatória que ocorre após um episódio de amigdalite bacteriana provocada por Streptococcus, tratada inadequadamente. Pode atingir as articulações, o coração e o cérebro, deixando seqüelas cardíacas graves, com conseqüências por toda a vida e podendo levar à morte. A doença ocorre em surtos, se não for prevenida, e a cada surto aumenta a chance de ocorrerem lesões cardíacas graves. A doença pode ocorrer em todas as idades, porém, a faixa etária de 5 a 15 anos é a mais acometida.)
Graças a Boa Mãe, estou curada e sem nenhuma sequela, o que era para ter ficado, pois sofri muito, as vezes era tão grave as recaída que tinha que tomar Benzetacil (injetável) a cada 3 dias...a cada 8 dias...a cada 15 dias...a cada 21 dias...nas fases mais críticas...
Tomei essa injeção de 12 aos 22 anos a cada 21 dias.
Hoje proclamo as Bençãos de Deus por intercessão de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro por toda a minha vida. Por isso, esse lugar e esse ícone é Sagrado para mim: já é o céu na terra.
A minha vida inteira será para bendizer essa tão grande Mãe. Breve estarei aos pés dela por tantas outras graças recebidas.

Ir. Josevânia Alves
27/06/2020

segunda-feira, 11 de maio de 2020

A missão de ser Mãe

Celebrar o Dia das Mães, é também momento de parar e refletir se estamos cumprindo a missão de ser instrumentos de Deus na vida de nossas famílias. Ser mãe, é se revestir sempre todos os dias de misericórdia e perdão na vida, não só dos filhos mas também de toda a família, tamanha é a missão de ser “mãe”, um sentimento e um estado da alma que só sabe quem de fato vive a experiência de se doar a todo tempo pela família, mas aqui vai uma alerta, cuidem de vocês, se amem mais, ninguém pode dar o que não tem. Seja “plena” todos os dias da beleza de Deus, do amor que você recebe de seus filhos, mesmo aqueles mais “difíceis” você também é amada por eles, do jeito deles, mas é.
Quero falar um pouco as mães que estão passando por dificuldades com seus filhos, principalmente os que estão na fase da adolescência onde tudo para eles parece “ultrapassado” dos valores que sempre vivemos em família. Hoje vivemos um uma sociedade turbulenta que explode sempre com “novas concepções” e que em nada contribui para o crescimento intelectual e humano de nossos filhos, cabe a nós saber chegar na hora certa e do jeito certo, sempre com muito amor e ternura e ir mostrando principalmente com o testemunho, o caminho seguro que leva a verdadeira realização e a paz de espírito, pois não há nada no mundo mais bonito que um homem e uma mulher que pauta sua vida sempre nos valores do Reino de Deus, pela vida, pela família que Deus sonhou. Pense nisso, sua missão de cuidar da família é enorme diante de Deus, tudo pertence a Ele, a você foi apenas dada a missão de cuidar e prestar contas a Ele no momento que Ele te pedir. Parabéns a todas as mamães.



Ir. Josevânia Alves

domingo, 29 de março de 2020

Benção Orbi et Urbi

Foto: VATICAN NEWS

Um amor imenso que nos deixou extasiados! O mundo inteiro contemplou, rezou e confiou na intercessão deste grande homem, o nosso Papa Francisco. Quanta simplicidade! Quanta profundidade no olhar! Quanta harmonia! Um homem que nos tocou profundamente, com seus passos lentos, saúde frágil, mas de uma força interior, de uma fé que a todos fortaleceu. Momento único diante do ícone da Virgem Maria, tão forte que nos levou ao pranto de emoção, confiança e amor a Mãe de Deus e de todos os povos. Diante da imagem do Cristo Crucificado, no silêncio da contemplação e da oração, ele nos ensinou tanto de buscar sempre escutar o Senhor que no meio da tempestade fala diretamente ao nosso coração, no beijo ao crucificado nos ensina a nunca perder as nossas tradições, as nossas devoções populares e a confiar com amor sem igual na Palavra do Senhor que diz: Coragem, Eu venci o mundo! A presença real de Cristo na Eucaristia, o silêncio que gritou aos quatro cantos do mundo, Deus é Deus, e isto basta!
Fica para cada um de nós, o compromisso de amar e assumir com coragem a missão que Deus nos confiou e nos confia a cada dia. Nós somos sim, responsáveis uns pelos outros, o Papa nos deu o exemplo, façamos agora nós a nossa parte! Deus espera muito de nós!
(Ir. Josevânia Alves, 28/03/2020)

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Avante na Missão em 2020!

1º Encontrão Arquidiocesano da IAM - Pontezinha - Cabo
“A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira dos que se encontram com Jesus”.
Em 2019 vivemos um ardor missionário intenso em nossas paróquias, e desejamos que esta alegria e esta paixão pela missão de Deus, encha sempre mais o coração de todos os cristãos, batizados e enviados a levar a Boa Nova do Senhor até os confins da terra.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

“Quando adoramos permitimos a Jesus que nos cure e transforme

"Ao iniciar este ano, descubramos de novo a adoração como exigência da fé. Se soubermos ajoelhar diante de Jesus, venceremos a tentação de olhar apenas aos nossos interesses. De fato, adorar é fazer o êxodo da maior escravidão: a escravidão de si mesmo." (Papa Francisco na Missa da Solenidade da Epifania)

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Para refletir

Adicionar legenda
Agora que a velhice começa, preciso aprender com o vinho a melhorar envelhecendo e, sobretudo, a escapar do terrível perigo de, envelhecendo virar vinagre.
     Dom Hélder Câmara 

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Sobre ter amigos!

Meu grande amigo, frei Carlos
Há pessoas que nos falam e nem as escutamos, há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam mas há pessoas que simplesmente aparecem em nossas vidas e nos marcam para sempre.
           Cecília Meireles

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Saber agradecer sempre!


Já diz a canção, "Fica sempre um pouco de perfume, nas mãos que oferecem rosas, nas mãos que sabem ser generosas..." 
Gratidão, esse sentimento tão nobre que deve sempre habita no coração humano. Que a nossa oração de cada dia, se inicie com o nosso coração transbordando de gratidão sempre a Deus que em Seu infinito amor misericordioso nos ama sem nada esperar, é tão triste ver quando se tem tantas razões para agradecer e tanta gente só sabe reclamar e maldizer. A gratidão traz paz e serenidade ao coração, nos faz cada dia mais abertos as Bênçãos que do Alto Deus envia sobre nós. Um pai, uma mãe foi constituído por Deus pela força do sacramento do matrimônio, para abençoar e bendizer seus filhos, é tão triste ouvir um pai maldizer seu filho. Sempre é tempo de recomeçar, então firme o propósito de tomar posse das infinitas bênçãos que Deus te envia a cada dia e se ponha sempre em oração de gratidão por tudo que Ele fez, faz e ainda fará em tua vida e na vida de tua família. Ore não só pelos seus, mais pelas famílias do mundo inteiro, somos um em Cristo, assim foi a oração sacerdotal de Jesus ao Pai, que todos sejam um, assim como Ele e o Pai são um, para que o mundo acredite. A paz do mundo começa em mim e em você, nunca esqueça!  

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Feliz Natal!

Crianças da IAM na apresentação do Presépio Vivo
«Quero representar o Menino nascido em Belém, para de algum modo ver com os olhos do corpo os incômodos que Ele padeceu pela falta das coisas necessárias a um recém-nascido, tendo sido reclinado na palha duma manjedoura, entre o boi e o burro». (São Francisco de Assis)

Querida família, que neste Natal de Jesus assim como São Francisco, olhemos o presépio com os olhos da fé e contemplemos o amor misericordioso e eterno de Deus por toda a humanidade e por cada um de nós em particular, que esse amor tão grande de Deus por você e por mim, nos leve a uma mudança de vida, a enxergar mais os irmãos que se aproximam de nós na caminhada e nos pede muitas vezes apenas um olhar de misericórdia para que também eles sintam-se agraciado pelo amor infinito de Deus que nos quer restaurados para a Sua glória. Aprendamos com a Sagrada Família de Nazaré que o Amor derruba todas as barreiras que nosso egoísmo constrói a cada dia quando nos distanciamos da Palavra e da Eucaristia, que alimentados e fortalecidos em Cristo, nos comprometamos de fato, com a missão que o Senhor nos confiou, lembrando sempre a exortação de nosso querido Papa Francisco:  "Na escola de São Francisco, abramos o coração a esta graça simples, deixemos que do encanto nasça uma prece humilde: o nosso «obrigado» a Deus, que tudo quis partilhar connosco para nunca nos deixar sozinhos." 

Que em 2020 cultivemos sempre mais um coração agradecido. Bendigamos ao Senhor por tudo que nos acontece, pois com Ele somos mais que vencedores, lembrando que a sorte do discípulo missionário não deve ser outra a não ser a mesma que teve seu mestre, a morte humilhante de Cruz por fazer apenas o bem e amar. Sejamos pois vidas em doação sempre! 

   Santo e abençoado Natal do Senhor!

       Ir. Josevânia Alves

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Sacerdote eterno!

Padre Veridiano e sua primeira Benção Sacerdotal a sua mãe
Na vocação que o Senhor me chamou e que há 25 anos disse SIM, me faz cada dia mais imensamente feliz e realizada porque é a minha vida toda inteira doada a causa do Reino e todos os dias agradeço a Deus por ter me conservado toda por inteiro para o seu serviço. Não me pertenço, sou toda por inteiro de Deus e isto todos os dias busco ter consciência. Na ultima terça-feira (17) cobri a Ordenação Sacerdotal de 03 novos padres e entre tantos momentos emocionante em que nos renovamos na vocação, partilho em imagem e descrição o que senti: momento forte de muita emoção e mais ainda, Graça infinda quando a mãe que gerou, alimentou e abençoou, recebe pela primeira vez a Bênção conferida por seu filho, agora sacerdote eterno!

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

CARTA APOSTÓLICA ADMIRABILE SIGNUM DO SANTO PADRE FRANCISCO SOBRE O SIGNIFICADO E VALOR DO PRESÉPIO



  1. O SINAL ADMIRÁVEL do Presépio, muito amado pelo povo cristão, não cessa de suscitar maravilha e enlevo. Representar o acontecimento da natividade de Jesus equivale a anunciar, com simplicidade e alegria, o mistério da encarnação do Filho de Deus. De facto, o Presépio é como um Evangelho vivo que transvaza das páginas da Sagrada Escritura. Ao mesmo tempo que contemplamos a representação do Natal, somos convidados a colocar-nos espiritualmente a caminho, atraídos pela humildade d’Aquele que Se fez homem a fim de Se encontrar com todo o homem, e a descobrir que nos ama tanto, que Se uniu a nós para podermos, também nós, unir-nos a Ele. Com esta Carta, quero apoiar a tradição bonita das nossas famílias prepararem o Presépio, nos dias que antecedem o Natal, e também o costume de o armarem nos lugares de trabalho, nas escolas, nos hospitais, nos estabelecimentos prisionais, nas praças… Trata-se verdadeiramente dum exercício de imaginação criativa, que recorre aos mais variados materiais para produzir, em miniatura, obras-primas de beleza. Aprende-se em criança, quando o pai e a mãe, juntamente com os avós, transmitem este gracioso costume, que encerra uma rica espiritualidade popular. Almejo que esta prática nunca desapareça; mais, espero que a mesma, onde porventura tenha caído em desuso, se possa redescobrir e revitalizar.

2. A origem do Presépio fica-se a dever, antes de mais nada, a alguns pormenores do nascimento de Jesus em Belém, referidos no Evangelho. O evangelista Lucas limita-se a dizer que, tendo-se completado os dias de Maria dar à luz, «teve o seu filho primogénito, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura, por não haver lugar para eles na hospedaria» (2, 7). Jesus é colocado numa manjedoura, que, em latim, se diz praesepium, donde vem a nossa palavra presépio. Ao entrar neste mundo, o Filho de Deus encontra lugar onde os animais vão comer. A palha tornase a primeira enxerga para Aquele que Se há de revelar como «o pão vivo, o que desceu do céu» (Jo6, 51). Uma simbologia, que já Santo Agostinho, a par doutros Padres da Igreja, tinha entrevisto quando escreveu: «Deitado numa manjedoura, torna-Se nosso alimento»[1]. Na realidade, o Presépio inclui vários mistérios da vida de Jesus, fazendo-os aparecer familiares à nossa vida diária. Passemos agora à origem do Presépio, tal como nós o entendemos. A mente leva-nos a Gréccio, na Valada de Rieti; aqui se deteve São Francisco, provavelmente quando vinha de Roma onde recebera, do Papa Honório III, a aprovação da sua Regra em 29 de novembro de 1223. Aquelas grutas, depois da sua viagem à Terra Santa, faziam-lhe lembrar de modo particular a paisagem de Belém. E é possível que, em Roma, o «Poverello» de Assis tenha ficado encantado com os mosaicos, na Basílica de Santa Maria Maior, que representam a natividade de Jesus e se encontram perto do lugar onde, segundo uma antiga tradição, se conservam precisamente as tábuas da manjedoura. As Fontes Franciscanas narram, de forma detalhada, o que aconteceu em Gréccio. Quinze dias antes do Natal, Francisco chamou João, um homem daquela terra, para lhe pedir que o ajudasse a concretizar um desejo: «Quero representar o Menino nascido em Belém, para de algum modo ver com os olhos do corpo os incómodos que Ele padeceu pela falta das coisas necessárias a um recém-nascido, tendo sido reclinado na palha duma manjedoura, entre o boi e o burro»[2]. Mal acabara de o ouvir, o fiel amigo foi preparar, no lugar designado, tudo o que era necessário segundo o desejo do Santo. No dia 25 de dezembro, chegaram a Gréccio muitos frades, vindos de vários lados, e também homens e mulheres das casas da região, trazendo flores e tochas para iluminar aquela noite santa. Francisco, ao chegar, encontrou a manjedoura com palha, o boi e o burro. À vista da representação do Natal, as pessoas lá reunidas manifestaram uma alegria indescritível, como nunca tinham sentido antes. Depois o sacerdote celebrou solenemente a Eucaristia sobre a manjedoura, mostrando também deste modo a ligação que existe entre a Encarnação do Filho de Deus e a Eucaristia. Em Gréccio, naquela ocasião, não havia figuras; o Presépio foi formado e vivido pelos que estavam presentes.[3]
Assim nasce a nossa tradição: todos à volta da gruta e repletos de alegria, sem qualquer distância entre o acontecimento que se realiza e as pessoas que participam no mistério. O primeiro biógrafo de São Francisco, Tomás de Celano, lembra que naquela noite, à simples e comovente representação se veio juntar o dom duma visão maravilhosa: um dos presentes viu que jazia na manjedoura o próprio Menino Jesus. Daquele Presépio do Natal de 1223, «todos voltaram para suas casas cheios de inefável alegria»[4].

3. Com a simplicidade daquele sinal, São Francisco realizou uma grande obra de evangelização. O seu ensinamento penetrou no coração dos cristãos, permanecendo até aos nossos dias como uma forma genuína de repropor, com simplicidade, a beleza da nossa fé. Aliás, o próprio lugar onde se realizou o primeiro Presépio sugere e suscita estes sentimentos. Gréccio torna-se um refúgio para a alma que se esconde na rocha, deixando-se envolver pelo silêncio. Por que motivo suscita o Presépio tanto enlevo e nos comove? Antes de mais nada, porque manifesta a ternura de Deus. Ele, o Criador do universo, abaixa-Se até à nossa pequenez. O dom da vida, sempre misterioso para nós, fascina-nos ainda mais ao vermos que, Aquele que nasceu de Maria é a fonte e o sustento de toda a vida. Em Jesus, o Pai deu-nos um irmão, que vem procurar-nos quando estamos desorientados e perdemos o rumo, e um amigo fiel, que está sempre ao nosso lado; deu-nos o seu Filho, que nos perdoa e levanta do pecado. Armar o Presépio em nossas casas ajuda-nos a reviver a história sucedida em Belém. Naturalmente os Evangelhos continuam a ser a fonte, que nos permite conhecer e meditar aquele Acontecimento; mas, a sua representação no Presépio ajuda a imaginar as várias cenas, estimula os afetos, convida a sentir-nos envolvidos na história da salvação, contemporâneos daquele evento que se torna vivo e atual nos mais variados contextos históricos e culturais. De modo particular, desde a sua origem franciscana, o Presépio é um convite a «sentir», a «tocar» a pobreza que escolheu, para Si mesmo, o Filho de Deus na sua encarnação, tornando-se assim, implicitamente, um apelo para O seguirmos pelo caminho da humildade, da pobreza, do despojamento, que parte da manjedoura de Belém e leva até à Cruz, e um apelo ainda a encontráLo e servi-Lo, com misericórdia, nos irmãos e irmãs mais necessitados (cf. Mt 25, 31-46).

4. Gostava agora de repassar os vários sinais do Presépio para apreendermos o significado que encerram. Em primeiro lugar, representamos o céu estrelado na escuridão e no silêncio da noite. Fazemo-lo não apenas para ser fiéis às narrações do Evangelho, mas também pelo significado que possui. Pensemos nas vezes sem conta que a noite envolve a nossa vida. Pois bem, mesmo em tais momentos, Deus não nos deixa sozinhos, mas faz-Se presente para dar resposta às questões decisivas sobre o sentido da nossa existência: Quem sou eu? Donde venho? Por que nasci neste tempo? Por que amo? Por que sofro? Por que hei de morrer? Foi para dar uma resposta a estas questões que Deus Se fez homem. A sua proximidade traz luz onde há escuridão, e ilumina a quantos atravessam as trevas do sofrimento (cf. Lc 1, 79). Merecem também uma referência as paisagens que fazem parte do Presépio; muitas vezes aparecem representadas as ruínas de casas e palácios antigos que, nalguns casos, substituem a gruta de Belém tornando-se a habitação da Sagrada Família. Parece que estas ruínas se inspiram na Legenda Áurea, do dominicano Jacopo de Varazze (século XIII), onde se refere a crença pagã segundo a qual o templo da Paz, em Roma, iria desabar quando desse à luz uma Virgem. Aquelas ruínas são sinal visível sobretudo da humanidade decaída, de tudo aquilo que cai em ruína, que se corrompe e definha. Este cenário diz que Jesus é a novidade no meio dum mundo velho, e veio para curar e reconstruir, para reconduzir a nossa vida e o mundo ao seu esplendor originário.

5. Uma grande emoção se deveria apoderar de nós, ao colocarmos no Presépio as montanhas, os riachos, as ovelhas e os pastores! Pois assim lembramos, como preanunciaram os profetas, que toda a criação participa na festa da vinda do Messias. Os anjos e a estrela-cometa são o sinal de que também nós somos chamados a pôr-nos a caminho para ir até à gruta adorar o Senhor. «Vamos a Belém ver o que aconteceu e que o Senhor nos deu a conhecer» (Lc 2, 15): assim falam os pastores, depois do anúncio que os anjos lhes fizeram. É um ensinamento muito belo, que nos é dado na simplicidade da descrição. Ao contrário de tanta gente ocupada a fazer muitas outras coisas, os pastores tornam-se as primeiras testemunhas do essencial, isto é, da salvação que nos é
oferecida. São os mais humildes e os mais pobres que sabem acolher o acontecimento da Encarnação. A Deus, que vem ao nosso encontro no Menino Jesus, os pastores respondem, pondose a caminho rumo a Ele, para um encontro de amor e de grata admiração. É precisamente este encontro entre Deus e os seus filhos, graças a Jesus, que dá vida à nossa religião e constitui a sua beleza singular, que transparece de modo particular no Presépio.

6. Nos nossos Presépios, costumamos colocar muitas figuras simbólicas. Em primeiro lugar, as de mendigos e pessoas que não conhecem outra abundância a não ser a do coração. Também estas figuras estão próximas do Menino Jesus de pleno direito, sem que ninguém possa expulsá-las ou afastá-las dum berço de tal modo improvisado que os pobres, ao seu redor, não destoam absolutamente. Antes, os pobres são os privilegiados deste mistério e, muitas vezes, aqueles que melhor conseguem reconhecer a presença de Deus no meio de nós. No Presépio, os pobres e os simples lembram-nos que Deus Se faz homem para aqueles que mais sentem a necessidade do seu amor e pedem a sua proximidade. Jesus, «manso e humilde de coração» (Mt 11, 29), nasceu pobre, levou uma vida simples, para nos ensinar a identificar e a viver do essencial. Do Presépio surge, clara, a mensagem de que não podemos deixar-nos iludir pela riqueza e por tantas propostas efémeras de felicidade. Como pano de fundo, aparece o palácio de Herodes, fechado, surdo ao jubiloso anúncio. Nascendo no Presépio, o próprio Deus dá início à única verdadeira revolução que dá esperança e dignidade aos deserdados, aos marginalizados: a revolução do amor, a revolução da ternura. Do Presépio, com meiga força, Jesus proclama o apelo à partilha com os últimos como estrada para um mundo mais humano e fraterno, onde ninguém seja excluído e marginalizado. Muitas vezes, as crianças (mas os adultos também!) gostam de acrescentar, no Presépio, outras figuras que parecem não ter qualquer relação com as narrações do Evangelho. Contudo esta imaginação pretende expressar que, neste mundo novo inaugurado por Jesus, há espaço para tudo o que é humano e para toda a criatura. Do pastor ao ferreiro, do padeiro aos músicos, das mulheres com a bilha de água ao ombro às crianças que brincam… tudo isso representa a santidade do dia a dia, a alegria de realizar de modo extraordinário as coisas de todos os dias, quando Jesus partilha conosco a sua vida divina.

7. A pouco e pouco, o Presépio leva-nos à gruta, onde encontramos as figuras de Maria e de José. Maria é uma mãe que contempla o seu Menino e O mostra a quantos vêm visitá-Lo. A sua figura faz pensar no grande mistério que envolveu esta jovem, quando Deus bateu à porta do seu coração imaculado. Ao anúncio do anjo que Lhe pedia para Se tornar a mãe de Deus, Maria responde com obediência plena e total. As suas palavras – «eis a serva do Senhor, faça-se em Mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38) – são, para todos nós, o testemunho do modo como abandonar-se, na fé, à vontade de Deus. Com aquele «sim», Maria tornava-Se mãe do Filho de Deus, sem perder – antes, graças a Ele, consagrando – a sua virgindade. N’Ela, vemos a Mãe de Deus que não guarda o seu Filho só para Si mesma, mas pede a todos que obedeçam à palavra d’Ele e a ponham em prática (cf. Jo 2, 5). Ao lado de Maria, em atitude de quem protege o Menino e sua mãe, está São José. Geralmente, é representado com o bordão na mão e, por vezes, também segurando um lampião. São José desempenha um papel muito importante na vida de Jesus e Maria. É o guardião que nunca se cansa de proteger a sua família. Quando Deus o avisar da ameaça de Herodes, não hesitará a pôr-se em viagem emigrando para o Egito (cf. Mt 2, 13-15). E depois, passado o perigo, reconduzirá a família para Nazaré, onde será o primeiro educador de Jesus, na sua infância e adolescência. José trazia no coração o grande mistério que envolvia Maria, sua esposa, e Jesus; homem justo que era, sempre se entregou à vontade de Deus e pô-la em prática.

8. O coração do Presépio começa a palpitar, quando colocamos lá, no Natal, a figura do Menino Jesus. Assim Se nos apresenta Deus, num menino, para fazer-Se acolher nos nossos braços. Naquela fraqueza e fragilidade, esconde o seu poder que tudo cria e transforma. Parece impossível, mas é assim: em Jesus, Deus foi criança e, nesta condição, quis revelar a grandeza do seu amor, que se manifesta num sorriso e nas suas mãos estendidas para quem quer que seja. O nascimento duma criança suscita alegria e encanto, porque nos coloca perante o grande mistério da vida. Quando vemos brilhar os olhos dos jovens esposos diante do seu filho recém-nascido,
compreendemos os sentimentos de Maria e José que, olhando o Menino Jesus, entreviam a presença de Deus na sua vida. «De facto, a vida manifestou-se» (1Jo 1,2): assim o apóstolo João resume o mistério da Encarnação. O Presépio faz-nos ver, faz-nos tocar este acontecimento único e extraordinário que mudou o curso da história e a partir do qual também se contam os anos, antes e depois do nascimento de Cristo. O modo de agir de Deus quase cria vertigens, pois parece impossível que Ele renuncie à sua glória para Se fazer homem como nós. Que surpresa ver Deus adotar os nossos próprios comportamentos: dorme, mama ao peito da mãe, chora e brinca, como todas as crianças. Como sempre, Deus gera perplexidade, é imprevisível, aparece continuamente fora dos nossos esquemas. Assim o Presépio, ao mesmo tempo que nos mostra Deus tal como entrou no mundo, desafia-nos a imaginar a nossa vida inserida na de Deus; convida a tornar-nos seus discípulos, se quisermos alcançar o sentido último da vida.

9. Quando se aproxima a festa da Epifania, colocam-se no Presépio as três figuras dos Reis Magos. Tendo observado a estrela, aqueles sábios e ricos senhores do Oriente puseram-se a caminho rumo a Belém para conhecer Jesus e oferecer-Lhe de presente ouro, incenso e mirra. Estes presentes têm também um significado alegórico: o ouro honra a realeza de Jesus; o incenso, a sua divindade; a mirra, a sua humanidade sagrada que experimentará a morte e a sepultura. Ao fixarmos esta cena no Presépio, somos chamados a refletir sobre a responsabilidade que cada cristão tem de ser evangelizador. Cada um de nós torna-se portador da Boa-Nova para as pessoas que encontra, testemunhando a alegria de ter conhecido Jesus e o seu amor; e fá-lo com ações concretas de misericórdia. Os Magos ensinam que se pode partir de muito longe para chegar a Cristo: são homens ricos, estrangeiros sábios, sedentos de infinito, que saem para uma viagem longa e perigosa e que os leva até Belém (cf. Mt 2,1-12). À vista do Menino Rei, invade-os uma grande alegria. Não se deixam escandalizar pela pobreza do ambiente; não hesitam em pôr-se de joelhos e adorá-Lo. Diante d’Ele compreendem que Deus, tal como regula com soberana sabedoria o curso dos astros, assim também guia o curso da história, derrubando os poderosos e exaltando os humildes. E de certeza, quando regressaram ao seu país, falaram deste encontro surpreendente com o Messias, inaugurando a viagem do Evangelho entre os gentios.

10. Diante do Presépio, a mente corre de bom grado aos tempos em que se era criança e se esperava, com impaciência, o tempo para começar a construí-lo. Estas recordações induzem-nos a tomar consciência sempre de novo do grande dom que nos foi feito, transmitindo-nos a fé; e ao mesmo tempo, fazem-nos sentir o dever e a alegria de comunicar a mesma experiência aos filhos e netos. Não é importante a forma como se arma o Presépio; pode ser sempre igual ou modificá-la cada ano. O que conta, é que fale à nossa vida. Por todo o lado e na forma que for, o Presépio narra o amor de Deus, o Deus que Se fez menino para nos dizer quão próximo está de cada ser humano, independentemente da condição em que este se encontre. Queridos irmãos e irmãs, o Presépio faz parte do suave e exigente processo de transmissão da fé. A partir da infância e, depois, em cada idade da vida, educa-nos para contemplar Jesus, sentir o amor de Deus por nós, sentir e acreditar que Deus está conosco e nós estamos com Ele, todos filhos e irmãos graças àquele Menino Filho de Deus e da Virgem Maria. E educa para sentir que nisto está a felicidade. Na escola de São Francisco, abramos o coração a esta graça simples, deixemos que do encanto nasça uma prece humilde: o nosso «obrigado» a Deus, que tudo quis partilhar conosco para nunca nos deixar sozinhos.
                                                                                        Dado em Gréccio, no Santuário do Presépio,                         a 1 de dezembro de 2019, 
sétimo do meu pontificado
. 
Franciscus

[1] Santo Agostinho, Sermão 189, 4.
[2] Tomás de Celano, Vita Prima, 85: Fontes Franciscanas, 468.
[3] Cf. ibid., 85: o. c., 469.
[4] Ibid., 86: o. c., 470.

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

A proteção de Maria em minha vida


A paixão por anunciar Jesus ao mundo cada dia toma meu ser por completo e me renovo em casa Santa Missa, em casa santo terço que medito no percurso do Cabo para Recife todos os dias. Minha fé em Deus cresce sempre mais e principalmente diante de tantas provações que tem surgido em minha vida, porque sinto muito mais forte e maior que as tribulações, o Amor de Deus que me envolve e me carrega quando não tenho forças. Minha devoção, amor e carinho a Santíssima Virgem é cada dia sem limites, ela me prova a toda hora o quanto está comigo me protegendo e me acompanhando. Incrível como sinto tão forte e real a presença de Maria dentro de mim e na minha caminhada, como ela tem me livrado de tão mal. Toda devoção e todo amor que tenho para com ela é pouco diante da gratidão por milhares de graças que dela alcancei. Feliz quem a Deus se confia e se entrega a proteção da Virgem Maria, ela sabe nos guiar como ninguém até seu Filho no caminho da perfeição e da pureza de espírito, algo tão raro no coração da humanidade hoje.